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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Resumo O fio das missangas

O fio das missangas, de Mia Couto
O fio das missangas, de Mia Couto, lançado em 2009, é um dos títulos mais recentes do contista e romancista moçambicano. Nos 29 contos reunidos nesta obra o autor se apropria da escrita para criar singelos pedaços de vida. Os habituais neologismos de obras como Terra Sonâmbula e O Outro Pé da Sereia agora são empregados como instrumento de interpretação. É preciso abstrair o sentido puro da palavra e mergulhar no simbolismo para sorver os muitos significados de, por exemplo, "A Saia Almarrotada", ou "Mana Celulina, a Esferográvida". Couto faz música com diálogos e em textos breves condensa a alma de seu país.

Nessa obra, boa parte das narrativas focaliza personagens femininas, sendo elas adultas ou não. Chama a atenção a recorrência do modo como as mulheres são tratadas pelos homens com os quais se relacionam, sejam eles companheiros, pais, irmãos ou tios; de um modo geral, o que se percebe é que as personagens femininas passam por um processo de apagamento, nas relações cotidianas com seus parceiros, o que contribui para minar a autoestima delas. A autoestima, por sua vez, na concepção da personagem, parece ser recuperada através do ato de narrar, ou mais especificamente, através da narrativa escrita, uma vez que, por esta via, elas manifestariam toda sua revolta e indignação em relação aos lugares que ocupam.

A brevidade das pequenas tramas e sua aparente desimportância épica estão focadas na contemplação de situações, de personagens, ou de simples estados de espírito plenos de significados implícitos, procedimento típico da poesia. Os neologismos do autor, a que os leitores já se habituaram, para além de mera experimentação formalista revelam-se chaves fundamentais de interpretação da leitura. Não por acaso, a maioria dos contos de O fio das missangas adentram, como já citado, com fina sensibilidade o universo feminino, dando voz e tessitura a almas condenadas à não-existência, ao esquecimento. Como objetos descartados, uma vez esgotado seu valor de uso, as mulheres são aqui equiparadas ora a uma saia velha, ora a um cesto de comida, ora, justamente, a um fio de missangas. “Agora, estou sentada olhando a saia rodada, a saia amarfanhosa, amarrotada. E parece que me sento sobre a minha própria vida”, diz a narradora de uma dessas belíssimas “missangas” literárias.

A prosa poética de Mia Couto sempre é relacionada a Guimarães Rosa. O próprio Mia confirma a influência do brasileiro, mas nem precisava, pois os belos neologismos que ele cria em suas histórias e o molejo da língua portuguesa na sua terra reforçam esse vínculo. Há também semelhanças entre Mia Couto e o poeta Manoel de Barros. Moçambique está para Mia do jeito que o pantanal mato-grossense está Manoel. E ambos brincam e reconstroem o idioma de modo parecido: transformam substantivo em verbo, misturam palavras, ampliam seus significados a partir das experiências dos seus povos. O moçambicano em prosa, o brasileiro em versos.

As primeiras histórias de O fio das missangas são um tanto melancólicas. A dor e o sofrimento dos personagens estão em primeiro plano, transbordam das páginas do volume e tocam o coração de quem lê. A tristeza toma conta, assim como a certeza de que o autor é um baita contador de histórias.

O livro dá um salto no nono dos 29 contos, "A Despedideira", a história em primeira pessoa de uma mulher que refaz a despedida do seu homem.

O conto "A saia amarrotada" narra a trajetória de opressão de uma mulher, anônima, e os mecanismos utilizados por ela em sua tentativa de libertação. Narrado em primeira pessoa, o texto atua como um testemunho da condição feminina, marginal e discriminada, assinalando a exclusão da personagem em relação ao seu grupo social.

Em "O mendigo Sexta-Feira jogando no Mundial" e "O novo padre", o autor deixa bem claro de que lado ele está na luta do dia-a-dia para se fazer justiça. É para ninguém ter dúvidas de que, depois de ter participado da guerra pela independência contra Portugal, sua sensibilidade continua empenhada para melhorar as coisas no seu país.

Na história "O menino que escrevia versos", o uso que ele faz de um dos personagens, o médico, é outro do talento narrativo desse sujeito.

No conto "Os machos lacrimosos", a partir de uma alegre confraria de homens que bebem e se divertem num bar num local chamado Matakuane – mas que poderia ser em qualquer local do mundo -, ele põe o dedo na ferida dos valores do universo masculino. É quando se entende a razão dele tentar nos fazer chorar nos primeiros contos. Esse conto serviu de chave para abrir outra porta de sua literatura. Nesta obra Mia Couto é universal, pois suas histórias estão centradas nas dores, desejos e fantasias de todos os homens. Elas se passam em aldeias ou cidades africanas, mas poderiam acontecer em qualquer bairro de qualquer cidade de qualquer país de qualquer planeta onde exista seres humanos.

"A vida é um colar. Eu dou o fio, as mulheres dão as missangas. São sempre tantas as missangas." É assim que o donjuanesco personagem do conto "O fio e as missangas" define a sua existência. Fazendo jus a essa delicada metáfora, cada uma das histórias aqui agrupadas alia sua carga poética singular à forma abrangente do livro como um todo - vale dizer, ao colar em questão. Com um texto de intensidade ficcional e condensação formal raras na literatura contemporânea, Mia Couto demora-se em lirismos que a sua maestria de ourives da língua consegue extrair de uma escrita simples, calcada em grande parte na fala do homem da sua terra, Moçambique, um pouco à maneira de Guimarães Rosa, ídolo confesso do autor, como já citado.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Promoção Dia do Estudante Encerrada!

O prazo desta promoção expirou, e não teve nenhum ganhador. Esperamos que em breve terá uma nova.
Agora é só ficar aguardando.


Valeu!

Escola E.N. Sra das Graças desenvolve o Projeto Horta


Os professores Edú Chaves, Angelita Freitas, Cristina Fusco, Cláudia Araújo, Gislaine Borges, Helenice Terezinha, Maria Aparecida, Nevilson Souza, Rosimeire Miranda, Rufino Pereira, Sueli Aparecida, Susiane Macedo, Vânia Maria e Wellington Queiroz estão empenhados com o desenvolvimento do "Projeto Horta", que se iniciou no dia 24-08-2011 com a etapa de limpeza do terreno contando com ajuda dos alunos do 3º Colegial e também alunos da Escola Agrícola (Agriculinos).
O objetivo desse projeto e desenvolver habilidades e competências para o trabalho do cultivo de plantas, definição da área, limpeza do terreno, tipos de sementes e o conhecimento das hortaliças.
O mapa da horta foi esboçado pela professora e engenheira Valença. As figuras geométricas dos canteiros são destinados ao trabalho matemático para o calculo de áreas. Assim que estiver na hora da colheita, todo o material colhido será usado para a enriquecer a Merenda Escolar.
A ênfase do projeto e para o 9º ano e 3º colegial. Mas todos os turnos poderá contribuir para o desenvolvimento deste projeto.



Confira o Vídeo Abaixo:


Texto produzido por Adrielle Rios Yonoki 
Imagens de Luiz Gustavo Amaral

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Novidades!

Em breve será divulgada os links para as paginas dos "sub blogs"
serão eles:
-Adulto:
Só pra constar, não é um blog pornô, de forma alguma, se trata de uma pagina focada para os jovens com mais de 16 anos, não vai conter, nem vídeo , nem foto, de sexo explícito.

-Notícias:

Garotas:

EM BREVE!



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

RESUMO: Demônio Familiar


Demônio Familiar
Autor do livro: José de Alencar
Henriqueta era filha de Vasconcelos e estava apaixonada por Eduardo. No entanto, esse, há algum tempo, a tratava com indiferença e até mesmo desprezo. Ela era a melhor amiga de Carlotinha, irmã dele. Carlotinha enxergava o amor da amiga e dizia que o irmão não estava com raiva, mas que também o nutria o mesmo sentimento por ela.
As duas tinham essa conversa no quarto de Eduardo, e Henriqueta até citou a janela do quarto como prova da indiferença, uma vez que antes eles fingiam não se ver pelas janelas e já agora ela mantinha a janela sempre fechada. Em meio a essa conversa Eduardo chegou e então Henriqueta foi embora, afinal estava no quarto de um moço solteiro. Eduardo apenas entrou perguntando por Pedro, seu escravo particular, e logo que esse chegou lhe fez as recomendações necessárias e foi embora.
Pedro ficou sozinho com Carlotinha e começou a falar de Alfredo, um rapaz que estava interessado nela. Exaltou suas qualidades, inventou que ele era rico, e já imaginava Carlotinha casada e convidando ele para ser seu chofer. Mas a menina fazia pouco caso, e não queria nem mesmo receber a carta. Sendo assim, Pedro a colocou escondida no bolso dela.
Depois disso Pedro foi falar com o irmão mais novo da casa, e contou como ele mandava versos bonitos para uma viúva rica que morava na casa da frente e mandou um verso maldoso para Henriqueta, tudo em nome de Eduardo, porque assim ele se arranjava com a mulher rica e não com a pobre.
Em seguida Alfredo veio ter com Pedro e lhe perguntou da resposta que Carlotinha havia dado a carta, mas ele contou uma história de que moça quando recebe carta a relê muitas vezes, analisa e depois que manda a resposta. Nesse momento ela chega e Pedro aconselha Alfredo a sair sem dizer nada, o que causa má impressão nela. Depois ela perguntou por que colocou aquela carta no bolso dela. Disse ainda que precisou mentir para a mãe, que por pouco não percebeu que ela tinha consigo uma carta de namoro.
Mais tarde, Eduardo chegou acompanhado de Azevedo, um amigo, e Pedro estava com eles também, no quarto do senhor. Azevedo acabava de voltar de Paris, e em toda a frase usava o francês junto ao português. Azevedo falava como a França era maravilhosa e como todos deveriam ir conhecer tais ares. Falava como era desenvolvida e como foi com a alma de um jovem e voltou como um velho saciado. Sendo assim, agora se lançaria na carreira pública e se casaria.
Falou ainda que ia se casar com Henriqueta, que não era rico o suficiente para se casar com moça pobre e que também não estava apaixonado, mas que se casar com uma mulher bonita faria bem para sua carreira, uma vez que ela atrairia olhares de homens importantes de quem ele se tornaria amigo para sua escalada social.
Quando ele foi embora, Pedro, que já tinha saído do aposento, foi chamá-lo para jantar. Ele não queria e Pedro disse à Carlotinha, que também tinha aparecido, que ela não queria comer porque Henriqueta ia se casar. E Eduardo justificava o casamento por interesse financeiro da parte dela. Carlotinha, que sabia de toda história, estava decidida a mostrar aos dois que sofriam uma confusão, uma vez que se amavam. Combinou de contar tudo ao irmão depois do jantar, quando a mãe deles, D. Maria, não atrapalhasse mais.
Carlotinha então contou que Henriqueta ficou magoada porque recebeu uns versos dele zombando-a, e que desde então ele mantinha a janela fechada, e que naquele dia ela tinha ido lá a fim de ver se ele a tratava com menos indiferença, para assim alimentar suas esperanças e ela negar o casamento. E como assim ele não fez, ela confirmou nessa tarde o casamento com Azevedo.
Por isso Eduardo chamou Pedro e pediu uma explicação, o negrinho explicou que trocava os versos para ele fazer um casamento lucrativo e, assim, ele poderia ser chofer. Eduardo só riu.
Quando Pedro e Carlotinha ficaram sozinhos novamente, ele falou que ia consertar aquela situação e convenceu a sinhazinha de mandar uma flor para Alfredo, porque assim alimentava o amor dele.
Depois dessa, Carlotinha escreveu à Henriqueta para que fosse à noite visitá-la e ver que Eduardo a amava. Quando ele veio perguntar se ela tinha mandado a carta, Carlotinha aproveitou para confessar a gravíssima falta que cometeu. Enviar uma flor a um rapaz.
Com isso Eduardo se lembrou do cargo de chefe de família que carregava e de como ele era responsável pela honra da família. Então, tranquilizou a irmã e disse que a culpa era só dele. Em seguida chegaram Henriqueta, Vasconcelos e Azevedo.
Azevedo logo se encantou pelo jeito de Carlotinha e prestou toda atenção na moça, que fazia do ambiente muito agradável. Henriqueta estava calada e triste, já que Eduardo não trocara palavra com ela. Na verdade ele estava conversando com Alfredo. Ao confirmar que os sentimentos dele em relação à Carlotinha eram sérios, propôs que passasse a frequentar a casa para que assim a honra não fosse manchada por erros que são cometidos quando se faz as coisas escondidos.
Pedro também tratava de organizar as coisas. Inventou para Azevedo que Vasconcelos estava falando para toda a rua do ouvidor que ia casar a filha com moço rico e assim pagaria o que devia aos comerciantes dali, falou também que Henriqueta era uma moça muito feia. Que tudo na verdade era efeito de maquiagens, espartilhos e muito pano. A contrapartida exaltou os valores de Carlotinha, e quando foi perguntado se ela gostava de algum moço, disse que não. Que gostava de homens sérios como Azevedo e que esse rapaz, Alfredo, não tinha chances.
Nessa hora já estavam começando as despedidas. E Henriqueta estava triste quando Carlotinha veio ter com ela. Porém, finalmente Eduardo veio falar-lhe. Dizia que estava organizando as coisas para a irmã, e que essa provavelmente ia lhe contar do que se tratava. Depois se desculpou pela confusão dos versos, e se declararam. E assim ficaram decididos a lutar por seu amor.
Noutro dia, estava Henriqueta na casa de Carlotinha e essa perguntava a Pedro, sobre Alfredo, que desconversava. Mais tarde, quando Eduardo chegou, ele e Henriqueta conversaram. Ele falava que tinha encontrado um jeito de por fim ao futuro casamento dela. E ela queria saber como, mas Eduardo insistia que a ajuda que precisava dela era apenas o apoio do amor.
Seu plano na verdade consistia em pagar a dívida de poucos reis do pai dela, e assim o dinheiro de Azevedo não seria preciso. Com isso, o pai da moça aceitaria romper o noivado. Eduardo foi resolver esses negócios e Carlotinha e Henriqueta ficaram conversando. Ela disse que estava magoada com a amiga por não ter lhe contado os segredos de seu coração. E assim finalmente Carlotinha cedeu que estava apaixonada por Alfredo, e que ele há alguns dias não aparecia e estava zangado, tendo como única justificativa o momento em que ela o deixou para escrever a carta à amiga, e que ele até a viu a entregando a Pedro.
Nessa conversa, Henriqueta lhe perguntou por que a carta da amiga chegou pela mão de Azevedo, e ela não entendendo chamou Pedro. Este disse que se encontrou com Azevedo na rua. Como era para a noiva dele não viu mal em mandar a carta. Nesse tempo chegou Azevedo que cumprimentou as moças, e depois foi ter com Pedro. Afinal, ele falava que Carlotinha gostava dele, mas ela o tratava com frieza. Ao que ele respondeu que era natural, uma vez que ele era noivo. E assim Azevedo decidiu romper o noivado, indo ter com Vasconcelos.
Depois disso, Pedro contou a Jorge como Henriqueta e Eduardo iriam se casar, Azevedo e Carlotinha também, e D. Maria e Vasconcelos. Quando contava, Vasconcelos chegou e Pedro começou a falar que o futuro genro dele esteve por lá a falar mal dele. Nesse momento, Alfredo chegou para falar com Eduardo, e Vasconcelos foi atrás de Azevedo que tinha saído a pouco dali.
Estando Pedro e Alfredo sozinhos. Ele começou a reafirmar a ideia de que Carlotinha estava interessada em Azevedo, quando finalmente chegam, à presença de Carlotinha, Henriqueta e Eduardo. Ali elas tentam chamar a atenção dele e achar uma justificativa pra seu novo tratamento indiferente com Carlotinha. Finalmente quando estavam sozinhos, Alfredo falou que vinha interessado em pedir a mão da irmã dele em casamento, mas teve prova que ela não o amava.
Carlotinha que ouvia tudo entrou junto de Henriqueta desejando ter essa prova de que não o amava. Alfredo negou-se a dar, mas enfim falou que ela mandara uma carta a Azevedo, e que vira tudo. Carlotinha passou a negar o fato, e nesse instante Azevedo chega também, contando como rompeu o noivado, e Carlotinha se aproveita para fazê-lo falar que nunca recebeu carta alguma dela, o que eu ele confirma dizendo que caso tivesse recebido vinha declarar-lhe seu amor. Carlotinha o destrata e tenta convencer Alfredo que ama a ele.
D. Maria também aparece e quer saber o que está acontecendo e porque estão todos tão frios. E por fim Vasconcelos também chega contando das calúnias que ouviu de Azevedo e que tudo nascera naquela casa, logo eles deviam retirar sua convivência dali.
Todos estando chateados e feridos, se lamentam, porém quando Pedro lamenta por si próprio, Vasconcelos e Azevedo o indicam como quem pode esclarecer tudo. Mas antes que ele fale, Eduardo declara que a culpa é da sociedade brasileira, e conta como cada família tem seu demônio familiar que muitas vezes age para criar discórdias dentro das famílias.
Logo Pedro confirma que todas as histórias foram inventadas por ele para que Azevedo deixasse Henriqueta e ela pudesse ficar com Eduardo, e Carlotinha com o ex-noivo da amiga.
Eduardo não se zanga com Pedro, mas o castiga dando a liberdade para ele e fechando a porta de sua casa para tal. Eduardo ainda diz que a dívida que Vasconcelos tinha com Azevedo estava quitada e ficaria como o dote de Henriqueta. Carlotinha, incentivada por ele, perdoa Alfredo e assim Eduardo declara que agora cabia à família vigiar para que o demônio familiar não atuasse novamente.
postado por WILZA REZENDE

Resumo: Cândido ou o otimista - Voltaire


Cândido ou o otimista - Voltaire
O MELHOR DOS MUNDOS

“... as coisas não podem ser de outro modo: pois, como tudo foi criado para uma finalidade, tudo está necessariamente destinado à melhor finalidade.”
Cândido ou o otimista
Voltaire

Cândido vive como agregado no castelo de um dos homens mais poderosos do local e tem como preceptor o mestre Pangloss. Durante toda sua vida aprendeu que deveria compreender todos os acontecimentos da melhor forma possível, pois nasceu como uma inserção possível no melhor dos mundos, e alimenta sua grande paixão por Cunegundes, filha do Barão que o abriga.
O enredo nos surpreende com uma sucessão de desgraças: Cândido é expulso do castelo por ser surpreendido no único encontro com Cunegundes, Mestre Pangloss é enforcado, dissecado e reaparece vivo com explicações absurdas, Cunegundes se prostitui, envelhece carcomida por infortúnios... Os personagens cruzam o mundo em busca de um encontro possível, mas estão naufragados num mar de otimismo irracional.
O leitor é contagiado pela ironia de Voltaire. As diferenças sociais, os preconceitos, os idealismos exacerbados, as guerras permanentes e não motivadas, os inocentes, a corrupção... Ricos argumentos para a vida de Cândido que teima em “sustentar que tudo está bem quando tudo está mal”, segundo os ensinamentos de Pangloss.
O velho sábio Martinho enriquece as vivências de Cândido. Surge como acompanhante e transforma-se no contraponto necessário às percepções que só encontram alicerces na filosofia ministrada por Pangloss. No trajeto final, é o olhar realista das sombras fragmentadas de desgraças e realizações que insistem em manter os caminhos primitivos e sacramentam, definitivamente, a impossibilidade de uma visão conformista e otimista.
Martinho é maniqueísta e não espera coisa alguma do mundo ou das pessoas. Seu olhar é realista, apesar de tão aviltante. “Por toda a parte os fracos abominam os poderosos perante os quais rastejam, e os poderosos os tratam como rebanhos de que vendem a lã e a carne”
“- Que mundo é este?” A indagação costura as mazelas do protagonista e encontra diversas respostas: “o melhor dos mundos possíveis” de Pangloss ou “alguma coisa de louco e abominável” de Martinho.
A grande lição é dada pelo velho turco que passou a vida cuidando de sua família dentro dos limites de sua propriedade: “aqueles que se metem em negócios públicos acabam miseravelmente”. A vida de sua família está em harmonia: plantam e colhem os frutos do trabalho no pequeno sítio. O homem, distante das pretensões intelectuais, ensina aos filhos que o trabalho afasta os três grandes males: “o tédio, o vício e a necessidade”.
Cândido retorna para a propriedade. Sua vida realizou-se à margem do ideal. Cunegundes, a donzela desejada, só se transformou em realidade quando já velha e gasta. Os sábios ainda tentam travar os embates filosóficos, contudo, a platéia sucumbiu às intempéries sem âncoras previdentes. Os personagens enforcaram-se nos nós cotidianos, dissecaram suas intimidades nas possíveis relações e se iludiram com ideais extemporâneos.
“O melhor dos mundos possíveis...” Após ouvir que todos os acontecimentos estavam encadeados da melhor forma possível no melhor dos mundos. Cândido encerra nossa leitura: “Tudo isso está bem dito... mas devemos cultivar nosso jardim.”
Voltaire escreveu “Cândido ou o otimista” quando conseguir superar todas as prisões, intrigas e infortúnios que marcaram sua história. Nos últimos vinte anos, viveu em companhia da sobrinha num domínio de Ferney, na província de Gex, quando transformou a fazenda maltratada numa terra produtiva. Cândido e Pangloss foram concebidos neste período de estabilidade, quando o escritor elaborou suas vivências e conhecimentos, costurando uma de suas obras mais conhecidas e respeitadas.
Contudo, Voltaire permanecia envolvido com os “negócios públicos”: ao defender a família de um jovem que se suicidara, Calas, iniciou uma luta por todos os que lhe pareciam injustiçados, incluindo a defesa do jovem La Barre, acusado de mutilar crucifixos.
Muitos sábios como Pangloss sobrevivem e espalham suas idéias otimistas, tentando ludibriar cândidos e inocentes com a certeza dos melhores mundos. Diversos artigos e ensaios costuram os personagens de Voltaire em contextos econômicos e sociais atuais e tentam satirizar alguns protagonistas contemporâneos. Alguns meios de comunicação sustentam que tudo está bem quando tudo está mal.
Mas... Infelizmente estes são os negócios públicos que causam a miséria aos que se envolvem sem defesas e com fortes idealismos. Na construção do mundo possível, o homem deve se estruturar com todas as ferramentas ao seu alcance. Uma ampla visão da humanidade, suas contradições e convergências, e uma segura restrição de sua inserção nas causas sociais nas possibilidades de realizações e conquistas pessoais. O homem é a realidade que laborada com empenho gera frutos e escreve a verdadeira filosofia com atitudes legítimas.
O mundo não é bom ou mau, é apenas um mundo que deve ser encarado com força e coragem.
Tudo está bem dito. E você, leitor, já cultivou o seu jardim?
postado por WILZA REZENDE

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Novidade

Agora no blog tem uma novidade: teremos algumas novas categorias de postagens, entre elas uma parte destinada á garotas. Isto inclui: make, cabelo, moda, unhas, e muito mais!
Quem vai ficar encarregada desta parte somos nós Estefânia e Laiane, depois de muito tempo sem trazer nada novo pro blog, estamos de volta e com tudo.
Aguardem, confiram e esperamos que gostem! Beijos.